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11/01/2021

Investimento em indústria 4.0 melhorou reação à pandemia

Cinque Terre

As empresas que investiram em tecnologias da indústria 4.0 tiveram melhores resultados diante do cenário de pandemia de covid-19. É o que aponta levantamento realizado pela FSB Pesquisa para a CNI (Confederação Nacional da Indústria). O cruzamento de dados de empresas que adotaram tecnologia da indústria 4.0 com as demais revela que as integrantes do primeiro grupo se saíram melhor da crise. Entre aquelas que têm até três tecnologias integradas aos processos, 54% já registram, atualmente, um lucro igual ou maior que o período pré-pandemia.

O índice cai para 47% nos negócios que ainda não adotaram tecnologias de indústria 4.0.  A lucratividade já é maior em 29% das empresas industriais que adotaram quatro ou mais tecnologias, percentual quase igual aos 28% entre quem adotou entre uma e três tecnologias e acima dos 25% entre quem não adotou nenhum recurso previsto na indústria 4.0. 

As perspectivas para 2021 também são mais promissoras para as indústrias 4.0. Para 63% dos executivos que atuam nesses negócios, o faturamento deve aumentar no ano que se inicia. No outro grupo, o índice é quatro pontos percentuais menor (59%). Com lucro mantido ou elevado e perspectivas positivas, um percentual representativo de empresas consegue até aumentar o número de colaboradores em um ano desafiador como o de 2020. Três em cada 10 indústrias que adotaram ao menos três tecnologias 4.0 já haviam aumentado o quadro funcionários em novembro na comparação com o mês imediatamente anterior à pandemia: fevereiro. Entre as outras, o índice cai para 22%.

Empresas alegam falta de recurso para a indústria 4.0  
A falta de recursos é considerado o maior obstáculo para a inovação ou incorporação de tecnologias para 35% dos executivos. Em segundo lugar, apontado por 24% das lideranças empresariais como a principal barreira, ficou o alto custo aliado à dificuldade de acesso ao crédito. 

“O reforço às linhas de crédito voltadas à inovação, pesquisa e desenvolvimento é fundamental para o Brasil avançar e diminuir a distância que existe atualmente em relação aos mercados mais desenvolvidos em indústria 4.0. Esse é um passo decisivo para o país ampliar a sua competitividade no mercado global”, comentou o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.

Segundo a pesquisa, três a cada quatro pequenas, médias e grandes empresas industriais brasileiras (74%) já adotaram ao menos uma tecnologia 4.0. Pouco mais de um terço (35%) está em um nível mais avançado, tendo implementado ao menos três diferentes tipos de tecnologia. A mais comum é a computação em nuvem, presente em 52% das empresas, seguida por sensores (36%) e softwares de gestão avançada de produção (33%). A tecnologia 4.0 menos presente é o big data, adotado por apenas 6% das empresas.

Faltam políticas públicas para indústria 4.0
Para a maioria dos executivos brasileiros (52%), a própria empresa está atrasada em relação até ao cenário nacional. Praticamente três em cada quatro industriais (73%) entendem que as políticas públicas de apoio e incentivo a investimentos para as empresas inovarem e adotarem novas tecnologias no Brasil é hoje menor que na média mundial.

Um dado sobre os movimentos feitos pelas empresas durante a pandemia reforça que, quanto mais tecnologias das indústrias 4.0 as empresas adotam, mas elas estão aptas a enfrentar adversidades como a pandemia do novo coronavírus. Entre aquelas que incorporaram quatro ou mais tecnologias, 71% afirmaram que inovaram na pandemia.

Quem usa robótica avançada contratou mais na pandemia
Entre as empresas que têm robótica avançada na sua produção, 37% aumentaram o número de empregados. No grupo daquelas com sistemas de conexão máquina-máquina e sensores, os percentuais são de 32% e 30%. O índice cai para 22% entre as indústrias que não adotaram tecnologias da indústria 4.0. 

Big data e IoT impactam mais na lucratividade
A pesquisa revelou que as tecnologias da indústria 4.0 que mais impactam positivamente na lucratividade das empresas são os sistemas de internet das coisas (IoT), especialmente na conexão máquina-máquina, big data e inteligência artificial. Entre as empresas que adotaram as duas primeiras tecnologias, 32% lucram mais que no pré-pandemia. No grupo daquelas que têm inteligência artificial, o índice é de 30%. Os percentuais são 7 e 5 pontos percentuais maiores que os registrados pelas empresas que não adotaram nenhuma tecnologia da indústria 4.0.

A pesquisa da CNI junto ao Instituto FSB Pesquisa entrevistou, por telefone, entre 23 de outubro e 12 de novembro de 2020, executivos de 509 empresas industriais, compondo amostra proporcional em relação ao quantitativo total de empresas do setor em todos os estados brasileiros. Dentro de cada estado, a amostra foi controlada por porte das empresas (pequena, média e grande) e setor de atividade. A margem de erro no total da amostra é de 4,3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Fonte: Portal Inovação Aberta

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