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18/12/2018

Gráfica familiar, vale a pena?

Cinque Terre

Todos sabemos, que mais de 95% das perto de 19 mil gráficas brasileiras são gráficas familiares, das quais, muitas foram herdadas, outras constituídas através de profissionais que saíram de empresas maiores e com seu fundo de garantia ou em sociedade com familiares, amigos ou colegas de trabalho da mesma empresa, montaram a nova gráfica. Sabemos também, que geralmente o nosso sócio mais próximo, está na família, seja ele irmão ou cunhado, ou mesmo a esposa ou o filho. É na família que se encontram em antagonismo, os maiores problemas que o gráfico pode enfrentar e também, as maiores soluções e proteções que o novo gráfico pensa poder conseguir.

Na vida empresarial principalmente no ramo gráfico, muitas vezes se encontram laços de família ou de amizades de longa data, compartilhando de um mesmo negócio. Mas até que ponto, isso realmente vale a pena? Transvestido com o nome de segurança e garantia, ou por outras razões que não nos cabem agora comentar, fruto de larga experiência com empresas familiares, é muito comum um empresário contratar um parente em detrimento de um desconhecido qualquer mesmo que com maior experiência técnica ou administrativa. O empresário gráfico subentende ou imagina, que seu parente não o lesará de forma alguma, ou seja, um problema a menos com que se preocupar. Será realmente verdade?

Os problemas colaterais de se contratar o familiar ou o amigo de longa data surgem, porém, mais rápido do que se pensa. O parente não consegue separar o ser profissional, do ser parente e se dá ao luxo de transgredir normas básicas de comportamento empresarial. Nem sempre o parente é profissionalmente tão habilitado quanto um outro qualquer, que seria escolhido de acordo com os requisitos do cargo disponível, seja de sócio ou mesmo em alguma função gerencial ou diretiva. Então, certamente já teremos algumas dificuldades ou a perda da qualidade do negócio, essencial nos dias de hoje. No início da relação, o dono da gráfica deixa de cobrar do parente ou amigo com o mesmo empenho, pois é um dos seus, a quem pensa geralmente dever um respeito diferenciado. O sócio ou gerente subalterno, por sua vez, como não é cobrado exatamente na medida necessária, naturalmente tende a relaxar ou simplesmente seguir suas próprias idéias, principalmente porque imagina ter poucos riscos. Se alguém tiver que ser mandado embora, imagina saber que é o último da lista.

Essa omissão de ambas as partes em curto espaço de tempo começa a prejudicar os resultados dos negócios da gráfica, seja na área comercial, industrial ou mesmo atrapalhando o relacionamento interno entre as equipes, que de pronto “sacam” o relacionamento incoerente e, quando então o sócio majoritário ou principal gestor, resolve tomar as rédeas e cobrar por tudo que não vinha cobrando, a retórica é recebida como uma desfeita ao parente ou ao amigo.

O quesito confiança, razão inicial de agregar um familiar ou bom amigo como sócio ou gestor de alguma unidade da gráfica, faz cair por terra toda precaução natural do empresário que naturalmente vai abrindo a guarda, na certeza de que seu familiar ou amigo de longa data olha para o seu negócio (a gráfica) como ele próprio o faria. Isso acontece na grande maioria dos casos e assim o faz, mas não com a preocupação que ele tinha antes, mas sim com a mesma do empresário no momento atual. Resultado factível, os dois estão com a guarda baixa e é exatamente quando começam a surgir as dificuldades e os problemas em diversos setores, nem sempre ligados a estes gestores em total prejuízo da empresa. As vendas vão mal, vende-se a qualquer custo, os produtos nem sempre adequados à gráfica. As cobranças não são feitas adequadamente e a área industrial é por assim a “culpada” por todas as coisas que não dão certo.

A coisa então se complica ainda mais quando a informação das dificuldades ultrapassa as paredes da empresa indo “colidir” junto ao resto da família ou dos outros sócios amigos que, por sua vez, passam então a julgar e a tomar um partido. Esse é então o momento, em que surge um novo vilão. A famosa “politicagem” da informação: aquilo que um quer que o outro saiba (ou não) é dito com palavras escolhidas, que acabam se tornando “passadores” de informações que um não tem coragem de dizer ao outro diretamente. E aí então meus amigos botaram lenha na fogueira e a política vilã rapidamente prolifera por todos na empresa levando muitas vezes a conseqüências irreversíveis.Quando o empresário resolve então dar um basta, tem de se reportar a toda família, tentando justificar sua atitude. Demitir um parente então é como mandar um filho para fora de casa ou se separar da esposa.

A questão da remuneração também tem um tratamento diferente; o familiar empregado sempre se acha no direito de receber proventos melhores, pois conhece as capacidades da empresa e, além disso, o dono da gráfica conhece suas dificuldades e acaba sentindo-se constrangido, se sentindo moralmente também perante a família que elevar seus vencimentos. A questão da confiança aí adquire um valor muito maior do que deveria. Afinal, por que devo pagar mais ao meu familiar, do que a outro profissional tão ou mais competente do que ele?

Por mais que se diga no começo da sociedade, ou ao contratar um parente como gestor de alguma área da gráfica que a relação, será estritamente profissional entre todos, assim como entre amigos, isso por diversos motivos, nunca será possível. Os laços que ligam as partes transcendem na grande maioria das vezes, os interesses do negócio. O familiar é aquele que mais conhece nossos defeitos e não tardará o momento em que no meio de uma discussão mais “quente”, uma das partes venha a se referir a um passado de um ou de outro. E aí vem o tiro mortal da “cumplicidade profissional”, ou seja, quando um toca na ferida do outro, trazendo à baila aquele assunto que só um familiar ou grande amigo e companheiro sabe qual é. É chegado o momento da tomada de decisão para o bem maior, que é a sobrevivência da empresa. Neste momento, um consultor experiente, age na forma de um mediador, para solucionar o impasse, que nunca deve ser tomado com o coração. Senão o tiro é fatal. Devemos pensar muito bem antes de empregar um familiar. Há muitas outras formas de ajudá-lo. Você acha que não é bem assim?

 

Thomaz Caspary ( in memoriam ) foi Consultor de Empresas, Coach e Diretor da Printconsult.

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